segunda-feira, 16 de maio de 2011

A “Cultura do Fã”: Causa, efeitos e seu surgimento principalmente na adolescência.


Como definir um fã ? De onde surge esse amor e essa dedicação tão intensa ? Segundo a psicologia ela está relacionada à identificação da pessoa para com seu ídolo. Em seu livro, A Construção Adolescente No Laço Social, Serge Lesourd afirma que esse tipo de comportamento costuma surgir na adolescência. Em relação afirma-se que a sua função é ser figura de identificação para o sujeito e que será “nas relações sociais”, no que chamaremos discursos sociais, que precisamos procurar a origem do ídolo, a sua criação. Além disso,ele constata que é muito comum o fã apresentar um fascínio por quem ele admira ,impedindo que ele possua uma posição crítica em relação ao ídolo.

Porém devemos tomar cuidado com o fanatismo, que muitas vezes pode até se tornar perigoso, pois o fanático deixa de viver sua vida para viver a do outro.

E na era digital, isso vem se amplificando cada vez mais, pois com as novas mídias disponíveis vivenciamos um período onde tudo converge midiaticamente. Não só as informações passaram a estar mais disponíveis, como as pessoas tornam-se mais ativas e ganham voz. Com essa mudança, as grandes empresas voltam-se para seu público.

Podemos citar o exemplo do site FanLib,que foi fundado pelo produtor de Titanic Jon Landau juntamente com Jon Moonves e o ex-CMO do Yahoo Anil Singh.Trata-se de uma central de distribuição para os escritores da chamada “fan fiction”,que são continuações de histórias  escritas pelos próprios fãs,e tem como idéia central acolher os criadores do primeiro gênero de conteúdo “ gerado por usuários”.O site tornou-se tão popular,que já são promovidos concursos que possibilitam que os fãs escrevam finais para suas séries de TV favoritas.


Patrícia Matos


Para nos contar um pouco mais sobre a “Cultura do fã”, como passou a ser conhecida esse tipo de interação, entrevistamos Patrícia Matos, formada em Comunicação Social, ex-funcionária de programação e produção da Rádio MEC FM, e atualmente estudando cultura juvenil e música popular massiva.













1) Você poderia me explicar melhor como funciona esse relacionamento
fã e artista?

Bom, existem muitos estudos na área da psicologia que tentam explicar os motivos que levam alguém a se tornar um fã, a se identificar com um determinado ídolo e não outro. O foco da minha pesquisa não é esse, mas eu acredito (e aí é só uma opinião mesmo) que tudo depende de identificação não só do fã em potencial com o ídolo mas com outros fãs também, o fato de você enxergar naquela pessoa (ou grupo/ banda) algo que não só você mas todos tem motivos para adorar. Daí cria-se uma comunidade, mesmo que você jamais encontre outros fãs, mas só o fato de você saber ou supor que existem outros fãs, outras pessoas que compartilham do mesmo gosto, é o suficiente pra você se sentir conectado. A famosa sensação de não estar sozinho, de pertencer a algo.

A palavra fã vem de fanático e tem, em sua origem, a idéia de culto religioso. Se você reparar tudo o que é relacionado a fã tem essa origem: ídolo, idolatria, fanatismo etc.
 Por um lado isso tem um tom pejorativo mas por outro até que faz bastante sentido já que religião, etimologicamente, significa religar, ou seja, se conectar com algo maior. Também não é a toa que muitos fãs, ao relatar suas experiências com os ídolos, usam metáforas religiosas para descrever tais sensações. Então acredito que a origem da condição de fã (eu sempre evito as palavras idolatria e fanatismo, hehe) esteja aí. Porém, uma vez se tornado fã inicia-se um movimento de se aproximar do ídolo (fisicamente ou não). A partir daí o fã começa a elaborar estratégias para diminuir a distancia entre fã e ídolo, mas como essa distancia é essencial para a manutenção da relação fã-ídolo (eu diria até que não existe fã nem ídolo sem distancia) essa distancia nunca é vencida totalmente. O artista também tem suas estratégias para se aproximar do fã mas nunca se aproxima o suficiente para deixar de ser um ídolo. É uma relação de tensão e retroalimentação constante.


2) Existe diferenças entre os fãs do Brasil para de outros
países?Quais são elas?

Muitos artistas e bandas dizem que o público brasileiro é mais caloroso e tals. Isso é quase um clichê. Se existem diferenças culturais é óbvio que os fãs vão se comportar de maneiras diferentes. Usando dois exemplos que eu conheço: os Backstreet Boys ja afirmaram (mais precisamente no DVD Around the World de 2001) que as fãs do Japão ficavam muito quietinhas enquanto eles cantavam e em seguida faziam um barulho ensurdecedor. Ja no Brasil eles mal conseguiam ouvir uns aos outros de tanto que elas gritavam.


3) Porque os brasileiros têm na cultura estrangeira sua principal
fonte de ídolos?

Nossa isso é muito complexo. Mas acho que (1) não é só o brasileiro, mas o mundo todo consome a cultura norte-americana e (2) não acho que seja a principal fonte. O Brasil tem muitos ídolos, mais até do que outros países, tanto na música como no futebol, nas artes em geral.

4) Até que ponto os fãs fazem loucuras pelos seus ídolos ?É quais
podem ser classificadas como loucuras?

A classificação vem sempre dos outros. Para o fã as suas ações fazem sentido na medida em que aquele objeto (ídolo, artista, filme) é tão bom, tão digno de adoração que exige ações exageradas, ou seja, sua performance justifica seu investimento afetivo que justifica a performance. Cada comunidade de fãs e cada gênero têm a sua gramática. 


Com isso podemos constatar que ainda não foram feitos estudos conclusivos, para diagnosticar de onde surge a “Cultura do Fã”, que vem sendo explorada atualmente. Porém podemos afirmar que ela ganha forças a cada dia, seja através de redes sociais ou de canais de divulgação de vídeos online criados pela indústria fonográfica. A tendência é que com o passar do tempo ela se solidifique e ganhe cada vez mais espaço em grandes meios de comunicação.Podemos comprovar essa tendência através de duas entrevistas que o Clipipoca realizou.

Confira:









CLIPIPAPO com Carina Castro:Fã de Mariana Hassib

Carina Castro de 17 anos, umas das primeiras fãs de Mariana Hassib,conversou com a equipe do Clipipoca e em um Clipipapo legal nos contou  o que a fez gostar da artista,quais são seus projetos de futuros fãs-clubes entre outras coisas.Confira:
Carina Castro




Como você conheceu o trabalho da Mariana?
Primeiramente conheci o trabalho dela na banda Goagain, via comunidades no orkut.


O que te fez gostar dela?
Seu estilo, letras das músicas e influências. Ela tem personalidade e passa isso no que ela faz.


Você fundou algum fã-clube?
Estou com um projeto de fundar uma página para ela na web. Tenho um grande grupo de amigos que também são fãs da Mariana, já podemos dizer que somos um mini fã-clube dela haha


O que você acha que ela tem de diferente das outras?
A Mary não deixa ninguém mudar ela e o que ela pensa, acho isso um grande diferencial em relação a outros cantores que facilmente são manipulados pela midia atualmente.


Você divulga o trabalho dela?
Estou sempre divulgando e o pessoal curte muito!


Você tem algum perfil fã dela nas redes sociais?
Já tive três páginas no twitter como fã e divulgando-a, porém a rede social acabou apagando elas por considerar como spam.




Confira também:


Entrevista com Mariana Hassib

Mariana Hassib Conta o que a fez se tornar um sucesso na web.

Mariana Hassib
A estudante de publicidade e propaganda Mariana Hassib de 22 anos, não imaginava que seu vídeo postado no site de compartilhamento de vídeos Youtube iria fazer tanto sucesso, alcançando em apenas um mês a marca de mais quatro mil visualizações. Em entrevista para o Clipipoca, Mariana conta que começou sua trajetória na música bem cedo e que descobriu o canto quando ganhou o violão, instrumento que aprendeu a tocar sozinha.


Confira conosco a entrevista concedida ao  blog:






Mariana conta que pretende investir cada vez mais em sua carreira, e sabe-se que atualmente existe uma campanha na rede social twitter para que o produtor musical Rick Bonadio assista ao vídeo.


Para entender melhor o sucesso que tem feito na web, confira conosco:





O vídeo foi produzido por Diogo Pereira, Gabriel Nogueira e Gustavo Montani, ambos amigos de Mariana .A canção“Qualquer um consegue ver” foi escrita por ela mesma,que conta que sempre teve o hábito de escrever as letras de suas músicas.
Com carreira promissora e com alguns fãs conquistados com o sucesso de seu trabalho,a cantora afirma que ainda há um longo caminho a ser trilhado. E para nos proporcionar um visão de quem é fã desde outros trabalhos da artista, entrevistamos Carina Castro, que acompanha Mariana desde da época que ainda integrava uma banda. 


Confira:

domingo, 10 de abril de 2011

A Evolução dos Videoclipes desde os anos 80 até os anos 2000.

Postado Por Vanessa Rocha e Vanessa Guimarães


Hoje em dia é tão comum assistirmos videoclipes, que não nos damos conta de quanto eles evoluíram com o passar dos anos. Podemos afirmar que os Beatles foram percussores do videoclipe moderno, pois o que antes era utilizado apenas como objeto de publicidade e promoção começou a ser alterado quando eles renunciaram a histeria de seus concertos e de suas performances televisivas e por isso não puderam comparecer no Ed Sullivan Show, transmitindo assim um fito meramente comercial onde a banda surgia a tocar em playback as canções Rain e Paperback Writer.Esse novo conceito de videoclipe só se firmaria no mercado audiovisual anos mais tarde,com a chegada da MTV aos EUA,em 1981.O novo canal mudou o modo de pensar da sociedade e os anos 80,geraram frutos que permanecem até hoje.
Quando pensamos em artistas que lançaram clipes nessa época, pensamos em vídeos que se tornaram eternos. Tais como Thriller de Michael Jackson, que foi dirigido por John Landis; e Bad dirigido por Martin Scorsese; Like a Virgin e Like a Prayer,ambos dirigidos por Mary Lambert,entre outros.Porém é inevitável  não se impressionar com os clipes produzidos atualmente,que se encontram cheios de efeitos especiais e também
cada vez mais criativos,tais como E.T- Katy Perry,dirigido por Floria Sigismondi, Telephone – Lady Gaga dirigido por Jonas Arkelund, The Time ( Dirty Bit) – The Black Eyed Peas,dirigido por Rich Lee.

Assista a versão curta de Thriller de Michael Jackson,que foi um dos clipes mais importantes dos anos 80:







Para nos contar mais sobre a evolução dos videoclipes desde os anos 80 até os anos 2000, entrevistamos o jornalista Guilherme Bryan, que é Doutorando pela Escola de Comunicação e Artes da USP, com tese sobre videoclipe brasileiro.


Guilherme Bryan
Qual a maior diferença entre os videoclipes dos anos 80 para os dos anos 2000?
Bom, as realidades do Brasil e do mundo, principalmente Estados Unidose Inglaterra, sempre foram muito diferentes. Nos anos 80, temos a consolidação do videoclipe como uma excelente ferramenta de marketing para as gravadoras e também para a divulgação de trabalhos realmente artísticos, realizados por diretores preocupados em desenvolver uma estética audiovisual. A chegada da MTV em 1981 nos Estados Unidos e em1984 na Europa é uma das grandes responsáveis. Ao mesmo tempo,artistas como Madonna e Michael Jackson encontrarão nesse formato uma excelente maneira de divulgar modos de comportamento e manifestar suas preocupações artísticas. No Brasil, é a época dos videoclipes do Fantástico, feitos pelos próprios profissionais da TV Globo, e,depois, das produtoras independentes. Hoje, o Brasil vive um momento também distinto do internacional. Enquanto por aqui os grandes artistas não investem mais tanto nos videoclipes, fora daqui o videoclipe vive um momento de efervescência nunca antes visto, a ponto de Justin Bieber ser o artista mais acessado do Youtube e desse portal ter que divulgar duas listas distintas dos vídeos mais acessados, uma só para os videoclipes. A indústria fonográfica também criou um canal próprio dentro do Youtube, chamado Vevo, em que realiza grandes estréias dos videoclipes de seus principais artistas.

Qual vídeo que você considera o melhor dos anos 80 e por quê?

Nossa, pergunta dificílima. Mas fico com Thriller e Like a Prayer, por
tudo o que eles representam para a cultura pop mundial e para o
videoclipe especialmente.


Qual o melhor dos anos 2000 e por quê?

Pergunta igualmente difícil, mas eu gosto muito dos clipes Here It
Goes Again, do Ok Go, Crazy, do Gnarls Barckley, Weapon of Choice, do
Fatboy Slim, The Scientist, do Coldplay, e Feel In Love With a Girl,
do White Stripes, e DANCE, do Justice, entre tantos outros.


Rachel Corrêa


Além da opinião de um especialista,entrevistamos também Rachel Corrêa,de 40 anos,que nos trás uma visão de alguém que vivenciou as duas décadas.Quando perguntada qual era o melhor clipe que já havia assistido nos anos 80 a resposta foi Thriller,sem pensar duas vezes e a justificativa foi que antes dele não havia tanta produção em clipes.Já quando perguntamos se ela achava que os videoclipes mudaram com o passar dos anos,a resposta foi novamente afirmativa e Rachel afirmou que eles ficaram melhores,com mais efeitos especiais com o passar do tempo,e afirmou também que uma de suas artistas preferidas na atualidade é Lady Gaga,que produz ótimos clipes,que chamam atenção pela produção e por seus efeitos especiais.





Depois dessas entrevistas não podemos negar que os videoclipes evoluíram muito com passar do tempo e também que isso é nítido para todos os tipos de público,sejam eles especializados ou não no assunto.

Assita E.T  de Katy Perry,dirigido por Floria Sigismondi,que retatra bem o estilo dos videoclipes dos anos 2000: